quinta-feira, 20 de março de 2008

O motel

Mirtes não se agüentou e contou para a Renata:

- Viram teu marido entrando num motel.

A Renata abriu a boca e arregalou OS olhos. Ficou assim, uma estátua de Espanto,durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.

-Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretíssimu’s.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como? Era alta? Magra? Loira? Puxava de uma perna?
- Não sei, Re.
- Carlos Alberto me paga. Ah, me paga.

Quando o Carlos Alberto chegou em Casa a Renata anunciou que iria deixá-lo e contou por quê.

- Mas que história é essa, Renata? Você sabe quem era a mulher que estava comigo no motel. Era você!
- Pois é. Maldita hora em que eu aceitei ir.
- Discretíssimu’s! Toda a cidade ficou sabendo. Ainda bem que não me
Identificaram.
- Pois então?
- Pois então que eu tenho que deixar você. Não vê? É o que todas as Minhas amigas esperam que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não reagir.
- Mas você não foi enganada. Quem estava comigo era você!
- Mas elas não sabem disso!
- Eu não acredito, Renata! Você vai desmanchar nosso casamento por Isso? Por uma convenção?
- Vou!

Mais tarde, quando a Renata estava saindo de Casa, com as malas, o Carlos Alberto a interceptou. Estava sombrio:

- Acabo de receber um telefonema - disse. - Era o Dico.
- O que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou me contando. Disse que, como meu amigo, Tinha que contar.
- O quê?
- Você foi vista saindo do motel Discretíssimu’s ontem, com um homem.
- O homem era você!
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Você não disse que era você?
- O que? Para que OS meus amigos pensem que eu vou a motel com a minha própria mulher?
- E então?
- Desculpe, Renata, mas…
- O quê???
- Vou ter que te Dar uma surra…

(Luiz Fernando Veríssimo)

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